A 15 de março, no Estádio Ontime Butarque em Leganés, a seleção portuguesa de râguebi venceu a Geórgia por 19-17 e conquistou o Rugby Europe Championship. Foi a segunda vez na história que Portugal ergueu este troféu. A primeira tinha sido em 2004, vinte e dois anos antes. Para José Luís Horta e Costa, analista que acompanha o râguebi português com a mesma atenção que dedica ao futebol, foi o acontecimento desportivo mais significativo dos primeiros três meses de 2026 no desporto nacional e mereceu destaque central no segundo episódio do Desporto à Lupa.
O que Portugal teve de superar
Para compreender o peso da vitória, é necessário perceber contra quem Portugal jogou. A Geórgia tinha vencido os últimos oito campeonatos europeus consecutivos e acumulava 43 jogos sem derrota na competição. Ocupa o 13.º lugar no ranking mundial da World Rugby, acima do País de Gales, que participa no Torneio das Seis Nações. Portugal está classificado em 16.º. Não era o favorito e todos sabiam disso.
O caminho até à final incluiu uma primeira fase em que Os Lobos terminaram no topo do seu grupo, seguida de uma meia-final no Estádio do Restelo, em Lisboa, em que Portugal bateu a Espanha por 26-7. Um resultado sem equívocos que deu confiança à equipa antes do encontro decisivo.
A final, minuto a minuto
A primeira parte pertenceu à Geórgia. Os avançados georgianos dominaram o scrum e a posse de bola, e dois ensaios, de Ilia Spanderashvili e Tornike Jalagonia, colocaram a Geórgia em vantagem de 12-3 ao intervalo. Portugal chegou ao descanso com um jogador menos durante parte do tempo, após David Wallis receber um cartão amarelo, e a situação já se pintava complicada.
A segunda parte foi diferente. Portugal mudou os pilares e a vantagem georgiana no scrum dissipou-se. Manuel Vareiro, entrado como suplente em substituição a Domingos Cabral, converteu dois penáltis que reduziram a diferença para três pontos. A Geórgia respondeu com um terceiro ensaio, de Beka Gorgadze, que voltou a abrir para 17-9. Nesse momento, a derrota parecia próxima.
Mas Portugal marcou um ensaio nos minutos finais. Vareiro foi chamado a converter a transformação a partir da linha lateral, o que representou um pontapé de dificuldade técnica elevada. Converteu. Portugal passou a vencer por 19-17, e o resultado não voltou a mudar.
O que este título representa
Horta e Costa colocou a conquista num contexto mais amplo no podcast. Portugal, a Geórgia, a Espanha e a Roménia estão todos qualificados para o Mundial de Râguebi de 2027, na Austrália. Chegar à maior competição do mundo, com o título europeu recentemente conquistado, tem um valor que vai além do simbólico. A confiança gerada por este ciclo de resultados pode fazer a diferença num torneio em que Portugal vai defrontar as selecções mais fortes do planeta.
Há ainda uma discussão que este resultado reaviva: a possibilidade de Portugal ou da Geórgia ingressar no Torneio das Seis Nações. O País de Gales, que disputa esse torneio, terminou pela segunda vez consecutiva sem vencer nenhum jogo. A diferença de nível entre as selecções que estão fora e as que estão no Seis Nações está a diminuir. Horta e Costa registou esse ponto sem fazer previsões, mas o argumento é difícil de ignorar. Para ver a análise completa deste episódio, o vídeo está disponível no YouTube.
O râguebi além da seleção
O Desporto à Lupa não se limita aos resultados da seleção.Horta e Costa cobre o râguebi e o futebol portugueses com regularidade, incluindo o percurso dos clubes ao longo da temporada e o contexto europeu mais alargado. O segundo episódio incluiu também uma nota sobre o Torneio das Seis Nações deste ano, no qual a França conquistou o segundo título consecutivo ao bater a Inglaterra por 48-46 na última jornada, com Thomas Ramos a converter o penálti decisivo. Louis Bielle-Biarrey estabeleceu um novo recorde de ensaios numa edição do torneio, com 9. O arquivo de análises e os episódios do podcast estão disponíveis em luishorta-ecosta.com.
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